• Lara Morais

Novembro Negro - toda hora é hora de ouvir Mateus Aleluia


esse post fica mais gostoso se você der o play antes de começar a lê-lo*

Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que fui "descobrir" Mateus Aleluia há mais ou menos dois anos quando a gravadora Três Selos lançou o vinil de Fogueira Doce como o 12º título do clube de assinaturas.


Eu digo isso porque a gente precisa normalizar que a música brasileira é muito vasta e muita coisa que a gente acha que é senso comum nunca passou pela casa de muita gente.


Mateus Aleluia é um desses casos pra mim. Ainda que ele tenha feito parte do clássico trio vocal Os Ticoãs, que com certeza você conhece (mas na voz de outros artistas), já que são os autores dos clássicos "Deixa a Gira Girar" e "Cordeiro de Nanã". E que voz. O grave de Mateus preenche qualquer espaço, da casa de show ao seu fone de ouvido.


Fogueira Doce, de 2017, seu segundo disco solo, é um passeio pela música popular brasileira, pelas religiões de matriz africana, pelos terreiros, pela nossa ancestralidade. Além de ser perfeito pra ser ouvido a qualquer momento.


Aquele dia friozinho, que você quer por sua roupa mais confortável e quentinha.

Preparando um jantar especial, seja a dois, com a família ou com os amigos.

Aquele almoço gostosinho que a gente prepara pra nós mesmas.

No meio da semana, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma ocasião especial. Durante um banho mais demorado, fazendo hidratação no cabelo, cuidando da pele. Também é ótima trilha sonora do seu momento só seu, seu ritual, sua reza, sua prática de yoga ou alongamento.

Para escrever esse texto. Para ler esse texto.

Para descobrir Mateus Aleluia.


É axé pra quem é de axé. É abraço pra quem é de abraço. É aconchego e refúgio pra quem precisa. Tudo num disco, tudo em 12 canções.


sempre é tempo

Mateus Aleluia também é inspiração. Em 2010, aos 67 anos, lançou seu primeiro disco solo, o Cinco Sentidos, também lançado pela Três Selos em formato de vinil. Então, minha amiga e meu amigo, se nos auge dos seus 30 você acha que está velho pra começar qualquer coisa, SE LIGA, hein? E eu digo isso também pra mim.


Os três discos lançados de 2010 pra cá (Cinco Sentidos, Fogueira Doce e Olorum, de 2020) são sua essência, a tal da verdade que todo mundo fala nos realities de música. E talvez seja por isso que as canções conversem tanto com a gente. Espero que esteja te tocando aí.


Foi o que aconteceu com a cineasta Tenille Bezerra, diretora do documentário Aleluia, o canto infinito do Tincoã, que estreia no próximo dia 18. Por seis anos, Tenille acompanhou o músico para contar toda sua trajetória, do início da carreira até "desaguar na expressão artística atual de Mateus", como explica a sinopse do longa.


Assim como suas músicas, "Aleluia, o canto infinito do Tincoã dialoga com o ponto de vista do personagem, suas memórias, criando um imaginário da sua visão de mundo, cuja expressão poética encontra abrigo no trabalho musical, e indo além, revelando um agudo pensador do Brasil nos dias atuais", complementa a sinopse.

Eu volto pra falar só desse documentário. Porque sempre é tempo de conhecer coisa boa e de compartilhar a potência que é Mateus Aleluia.


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