• Lara Morais

Já passou da hora de falar do Mama Feet

Welcome to Mama!


Nesses tempos de pandemia, de quarentena e incertezas, parece até que foi em outra vida que nós nos arrumávamos e saíamos pra assistir a um show. Entre saudade e nostalgia, acho válido começar esse post, que é sim sobre o videoclipe Red Lights, do Mama Feet, com um relato sincero e de todo coração sobre o único show que vi desse quarteto. Único em unidade, já que realmente só vi um. E único com adjetivo, pois posso falar que ao longo de singelos 30 anos, este foi, sem dúvidas, um dos melhores shows que eu já fui (e olha que a competição é grande).


Já parou pra pensar o que sentiu aquela pessoa que assistiu ao primeiro show da Led Zeppelin, à primeira apresentação do Pink Floyd, ao lançamento do primeiro disco do Guns?


Eu já. Deve ser como fazer parte da história daquela banda e, portanto, da história do rock. Deve ter sido mais ou menos o que eu senti ao assistir ao lançamento do Brazilian Democracy, do Mama Feet, sábado, no Teatro Solar.


Sempre que vou a um show de uma banda grande, penso: o que a faz ser do tamanho que é? Todas as vezes concluo que é todo cuidado que o grupo tem com o público, de entreter, de manter a mesma qualidade do disco, de despertar sentimentos na plateia. A cada troca de música, um teaser, a cada pausa, um personagem novo, a cada fim de canção, uma plateia atônita, que não sabia fazer mais nada além de bater palmas com veemência, de queixo caído, e voltar a prestar atenção à continuação daquele espetáculo.


Quando você acompanha a banda, como eu acompanho o Mama, a relação é outra. É ver ali naquele palco, não quatro músicos, mas quatro sonhos, quatro pessoas felizes demais por estarem fazendo tudo aquilo acontecer. Finalmente mostrando a todos anos de suor, literalmente, de um trabalho completo e concluído. É um suspiro de alívio.


Eu não sei se o Teatro Solar, em Botafogo, ficará marcado como o lugar do lançamento do disco da gigante Mama Feet, eu não sei se o Mama será a próxima *insira aqui a banda que quiser*. Eu não sei.


O que eu sei é que eles são os primeiros Mama Feet. E que o sonho, que começou lá quando o Fey vendeu o carro pra comprar aparatos pra montar um estúdio, enfrentar a tudo e a todos pra gravar um disco duplo, de música autoral, na cara e na coragem, virou história ali naquele dia 07 de janeiro de 2017. E, graças às todas as energias que nos regem, eu estava lá pra ver!


Três anos depois, o sentimento é exatamente o mesmo. E se eu pudesse ter um pedido, eu escolheria que o som desses quatro caíssem nas mãos certas, aquele clique que falta pra eles serem conhecidos na grandeza que merecem.


Quatro anos depois do primeiro disco, o Brazilian Democracy (que tem as LINDÍSSIMAS Entre o Ego e o Chão, Sweetest Town e The Old Room), eles lançam o single e videoclipe de Red Lights, que antecede uma nova fase com um novo álbum. E se antes eles se multiplicavam para cantar em português e inglês, para o segundo disco eles trazem apenas faixas na língua inglesa. O que não perde nada em qualidade, pelo contrário, já que eles são ótimos letristas nas duas línguas. O que não sai da essência da banda é brincar com referências e mostrá-las visualmente ao público. Em Brazilian Democracy cada faixa ganhou uma versão Mama Feet de uma imagem do universo pop e com Red Lights não seria diferente. No clipe gravado pelas ruas de Londres (saudades do que não vivi) são muitas as reproduções tanto de capas quanto de cenas de outros videoclipes de referências musicais da banda como Oasis, Beatles e Pink Floyd. Assista aqui e veja quantas referências você consegue encontrar:

Letra Red Lights

I’m breathing a different kind of atmosphere down here

I’m feeling as safe as a baby in a room with a grown-up kid

I no longer need to worry

By your side everything’s alright

My insecurities disappear


refrão

But it seems I’m falling into the sky

I can’t feel my body I don’t trust my mind

And I thought that you were gonna let me down

This town is haunted by some sort of red lights

Moving side to side

So let’s not break up

All we need is an unusual coffee break

Go ahead let’s try to get to know another kind of taste

And don’t bother telling me it’s not safe

By your side everything’s alright

My insecurities fade away


Recentemente também saiu o interessantíssimo No Trust, na maior onda do filme Enter de Void (2009) e que vale muito a pena ver e ouvir.

No aguardo do próximo disco, pra falar quantas vezes forem necessárias do Mama Feet <3

12 visualizações0 comentário